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Igreja-Hoje – Qual a sua função enquanto assessora da Catequese da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética?
Ir. ZÉLIA – O serviço de assessoria consiste em acompanhar, animar e dinamizar as ações catequéticas nos 17 regionais da CNBB, para isso a Comissão conta com os grupos de reflexão: GRECAT – Grupo de Reflexão Catequética Nacional; GREBIN – Grupo de Reflexão Bíblica Nacional. Esses grupos contribuem na reflexão, produção de subsídios e assessorias.
IH – Quais as principais preocupações sentidas pelos catequistas hoje?
Ir. ZÉLIA – Acredito que é a FORMAÇÃO. A maioria dos/as catequistas busca aprofundamento e muitas vezes não tem o devido apoio das suas paróquias e dioceses. É necessário que nossas comunidades priorizem a FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS dispondo de recursos para isso.
IH – Como o tema da “Iniciação à vida cristã” pode inspirar a prática de uma catequese missionária?
Ir. ZÉLIA – A iniciação à Vida Cristã é uma proposta para toda a Igreja e não se restringe somente a catequese. Para isso necessita ser ampliada a própria concepção de catequese, que ficou por muito tempo como algo destinado às crianças e a mera preparação aos sacramentos. A Iniciação à Vida Cristã resgata a essência da catequese que é fazer ECOAR a PALAVRA DE DEUS, formar adultos na fé, discípulos missionários, agentes de transformação na sociedade. É uma catequese que não se limita as quatro paredes de uma sala, mas vai ao encontro do Outro, dos esquecidos, dos excluídos, é missionária, chega ao coração do mundo onde pulsa a vida, muitas vezes ameaçada.
IH – Como a catequese pode contribuir para a evangelização dos jovens e seu engajamento nos trabalhos paroquiais, já que muitas vezes eles deixam a Igreja, principalmente após o sacramento da crisma?
Ir. ZÉLIA – A catequese que somente prepara para receber os sacramentos não é capaz de formar discípulos missionários engajados na comunidade e comprometidos com o Reino. Por isso a proposta da Iniciação à Vida Cristã apresenta um itinerário de inspiração catecumenal, gradual e permanente possibilitando aos candidatos ou catequizandos uma experiência de ENCONTRO com Jesus Cristo. Resgata-se a dimensão vivencial-litúrgica-bíblica da catequese ao propor um itinerário processual capaz de configurar a identidade cristã. É a experiência do ENCONTRO com uma pessoa, a pessoa de JESUS CRISTO, mencionado no Documento de Aparecida 12: “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva”.
IH – Como podemos valorizar o trabalho de evangelização dos catequistas?
Ir. ZÉLIA – Não vivemos mais na cristandade. As pessoas necessitam ser evangelizadas, portanto, toda ação da Igreja é evangelizadora. A catequese é evangelizadora, não podemos mais supor que mesmo os assíduos frequentadores de nossas Igrejas, estejam evangelizados. Por isso a necessidade de valorizar e investir na formação de catequistas evangelizadores.
IH – Quais seriam os pré-requisitos para ser um catequista inserido na proposta da Missão Continental e do Documento de Aparecida?
Ir. ZÉLIA – Primeiramente uma pessoa VOCACIONADA, chamada por Deus. Ser catequista não é nenhum privilégio, é DOM, é responder ao CHAMADO DO MESTRE, para entrar na sua ESCOLA e aprender a ser discípula/o no dia-a-dia, na escuta da Palavra, no testemunho, no jeito de ser e viver de Jesus. O catequista vocacionado torna-se ENCANTADO e APAIXONADO pela missão, por isso tudo o que desenvolve deixa transparecer o seu próprio SER, deixa as marcas do amor de Deus nos seus catequizandos e na comunidade. É a partir dessa experiência fundante que pode ser proposta ao catequista uma formação permanente. Portanto o catequista precisa ser evangelizado, mesmo que já tenha recebido os sacramentos da iniciação, pode ser que ainda não tenha feito uma experiência profunda de encontro com Jesus, sua Palavra e seus ensinamentos. São muitos os pré-requisitos mais acredito que esse seja o fundamental, para todo catequista.
Boletim Informativo da Arquidiocese de Ribeirão Preto
Igreja-Hoje – Março Ano 2011 – N. 225

O que é iniciação cristã?
Antes de tudo, iniciação cristã é colocar a pessoa em contato com Jesus (DA nº 288). É um experiência de encontro vivo e persuasivo que venha tocar, impactar, atrair a pessoa a Jesus Cristo como centro de sua vida. Trata-se pois de uma experiência, um encontro, um acontecimento impactante e transformante.
Com este encontro e experiência inicia-se o seguimento de Jesus por parte da pessoa humana. Normalmente a iniciação cristã prepara a pessoa para receber os sacramentos da iniciação: batismo, crisma, eucaristia. Para os que já foram batizados, mas não evangelizados a iniciação quer ajudá-los a viver com consciência, maturidade e compromisso a vida cristã. Portanto, a iniciação é um processo educativo com etapas bem delineadas, a saber: Encontro com Jesus, conversão, discipulado, inserção comunitária, celebração da fé e missão.
O catequista deve ser pessoa convertida, evangelizada, entusiasmada. Pessoa de oração diária, que fez a experiência do amor de Deus e dá catequese como um ato de amor. O catequista reflete em seu rosto a alegria, o entusiasmo, o encantamento por Jesus Cristo, seu reino e sua Igreja. Transmite uma experiência de vida, não uma teoria, nem uma doutrina racional e vazia.
O Catequista deve dar catequese com alegria. Os catequizandos são tocados pela alegria do catequista. Esta alegria toca, convence, inflama, atrai as pessoas ao seguimento de Jesus. Quanto mais alegria, tanto mais a catequese será agradável e convincente. A alegria é sinal da fé, manifesta a experiência feita do amor de Deus e o desejo de comunicá-la. O bom catequista tem fé, competência e metodologia, mas transmite tudo isso através da alegria.
O catequista que tem Iniciação Cristã fez a experiência do amor de Deus e quer mostrar, ensinar, divulgar a experiência do amor de Deus. Este amor vivido desperta o coração dos ouvintes. Quanto mais o catequista ama sua sala, seus catequizandos, tanto mais vai cativá-los no amor de Deus. Assim, os catequizandos sentirão a alegria de descobrir que são amados por Deus.
A catequese de Iniciação Cristã começa mostrando quanto amor Deus tem por nós, dando-nos Jesus na manjedoura, na cruz e no sacrário. A morte e ressurreição de Jesus são grandes provas do seu amor. O centro da catequese é mistério pascal, a morte e ressurreição de Jesus, por amor de nós. Assim toda a Escritura Sagrada é uma carta de amor. Os sacramentos são gestos, abraços e beijos do amor de Deus. Até o sofrimento, enquanto chance de conversão e crescimento, é também amor de Deus, advertência e providencia de Deus para o nosso bem. A Igreja é mãe amorosa que nos acolhe, batiza, crisma, perdoa, alimenta e reza por nós. A catequese é um ato de amor de Deus e da Igreja para nossa felicidade e salvação.
Uma catequese dada com amor e por amor e dada com alegria, suscita no coração do ouvinte a esperança de ser melhor, o desejo de mudar, a aspiração de se converter e se salvar e de ajudar os outros a descobrir este amor.
O catequista da Iniciação Cristã faz diariamente a meditação da Palavra de Deus, tem seu ritmo de silêncio, de escuta, de oração pessoal, precisa permanecer na “escola da Palavra” para interiorizar a mensagem e comunicá-la com ardor. É um contemplativo que transmite o que armazena em seu coração. A boca fala do que vem do coração. Na iniciação Cristã acontece a catequese apostólica: “Chamou-os, para estar com Ele e enviou-os a evangelizar” (Mc 3, 14-15).
O Catequista da Iniciação Cristã tem quatro pilares nos quais se afirma: 1) Oração diária, vida de oração que brota da fé. Deve ser mestre de oração. 2) Competência: é uma pessoa que estuda, faz cursos, tem o habito de leitura, procura cultivar-se. 3) É humano, isto é, tem cuidado, carinho, amor, ternura e responsabilidade pelos catequizandos. Tem um amor exigente que leva a serio sua missão. 4) Tem pedagogia e metodologia de ensino.
Fonte: Cartilha sobre a Iniciação Cristã - D. Orlando Brandes - Arquidiocese de Londrina
Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo. (Efésios 4:32)