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sábado, 7 de maio de 2016

A banalização dos Sacramentos...





Quero expor toda minha tristeza e agonia que sinto a cada dia, quando observo que os sacramentos de Jesus se perdem no coração dos homens e da própria Igreja. 

Durante todos esses anos de catequista, observo cada dia mais a banalização descarada dos Sacramentos Cristãos. É um absurdo a forma que as pessoas encaram os Sacramentos, sem nenhum respeito, sem nenhum apreço, sem nenhuma sacralidade da qual deveria existir. E não é por falta de conhecimento, porque muitos conhecem e entendem os Sacramentos, mas mesmo assim o desrespeitam. Vamos pontuar cada um deles:

O Sacramento do Batismo é tratado mais como uma superstição do que um sacramento. Eu já ouvi dizer que “batizar é bom porque ajuda cair o umbigo da criança”. Sem contar as famílias que sem nenhum conhecimento convida padrinhos que são de outra religião para batizar seus filhos. É inadmissível coisas desse gênero, devemos entender também que é culpa da própria Igreja, culpa do Povo de Deus, de nós catequistas. O que nós estamos fazendo que não conseguimos explicar verdadeiramente o valor de um sacramento essencial para vida cristã? Por que os padres não tiram um pouquinho do tempo da homilia para expor essas questões? Por que concordamos com coisas dessa natureza? Isso é algo que devemos refletir e agir de forma firme.

O Sacramento da Crisma é algo que durante muito tempo pareceu ser “facultativo”. Pois assim me disseram logo depois que fiz a primeira comunhão: “Ah, você faz crisma se quiser, se não quiser não precisa”. E nós sabemos que isso não é verdade. Nós entendemos e sabemos da importância do sacramento do Espírito Santo. E mais uma vez nos calamos, como se concordássemos com essa ideia. As pessoas só procuram a Crisma quando se vêem às vésperas de seu casamento porque a Igreja exigiu a crisma para casar. Aí é aquele corre-corre, aquele desespero para fazer catequese, quanto tempo demora, não dá pra fazer mais rápido, e assim vai se levando um sacramento de Deus “de qualquer maneira”.

O Sacramento da Penitência é outro paradigma que existe dentro da Sociedade. Confessar-se é para beatas, pessoa normal não precisa confessar. Pra quê? Padre come arroz e feijão como eu, não preciso contar meus pecados pra ele. E assim se joga no lixo mais um presente que Deus nos deu. E digo mais, muita gente, mas muita gente dentro da Igreja pensa do mesmo jeito. Não fala, mas pensa. Ficamos com vergonha, não queremos nos expor, temos medo de que o padre conte para alguém e por isso protelamos, esperamos mais um tempo e deixamos de lado, enquanto isso nossa espiritualidade morre e o meu SER de catequista, o meu SER de cristão também. Eu pergunto para você meu irmão, há quanto tempo VOCÊ não se confessa?

O Sacramento da Unção dos Enfermos se perguntarem para um grupo de pessoas quais são os sete sacramentos, a maioria irá esquecer do sacramento da unção. E por que se esquecerão desse sacramento? Porque ele é esquecido por nós católicos. Porque muita gente entende e ensina que esse sacramento é só para a hora da morte. E isso é um erro grave porque o sacramento da Unção também é um sacramento de Cura, assim como o da Penitência, nós devemos encara-lo como um remédio espiritual. Mas, enquanto isso, nós vivemos doentes espiritualmente por aí e tentamos buscar solução em tantos lugares e não percebemos que a nossa cura está tão clara e viva neste sacramento.

O Sacramento do Matrimônio vemos na televisão, nos jornais, nas revistas, artistas trocando de parceiros, fazendo grandes celebrações de casamento, coisa linda, mas não há sacralidade nenhuma nessas uniões. É somente um grande “evento social”. Isso faz com que todos façam o mesmo e cada vez mais se casa nas Igrejas e cada vez mais se descasa nos tribunais e por quê? Porque os casais de hoje em dia não entendem o presente que Jesus nos dá por meio desse Sacramento.E toda vez que se desfaz uma família é vitória do diabo que une todas as suas forças para acabar com a Graça na vida do homem.

O Sacramento da Ordem é outro sacramento que sempre aparece na mídia ao mostrar casos de Pedofilia e faz com que isso se torne um “prato cheio” para opinião pública denegrir a imagem da Igreja Católica. Devemos pontuar algumas coisas que são importante em relação a isso: primeiro, em todas as atividades há bons profissionais e maus profissionais e o erro e o pecado são inerente ao ser humano. 

Segundo, a Igreja não obriga ninguém a ser padre. Isso passa por um processo de Vocação, de escolha, de livre-arbítrio, é por isso que um vocacionado ao sacerdócio passa em média 8 anos em um seminário estudando, se conhecendo, conhecendo as pessoas, conhecendo o trabalho que ele terá pela frente. O problema é que ainda assim, passam por esse processo pessoas que depois sacerdotes cometem esses erros, o problema é que quando um médico erra ele fere a sua imagem e quando um padre erra ele fere também a Imagem da Igreja. 

Devemos nós leigos, cuidar mais dos nossos padres, devemos rezar para que possamos ter sacerdotes sempre mais santos para nos ajudar a nos levar ao céu.

O Sacramento da Eucaristia o mais banalizado em quantidade e em gravidade, por quê? Porque os primeiros a banalizar a Eucaristia somos nós, católicos, leigos, catequistas, que não nos damos conta da relevância espiritual que esse sacramento tem para nossas vidas. Nós precisamos entender que banalizar este sacramento é banalizar o próprio Cristo. 

Quantas vezes você já comungou em pecado mortal? Quantas vezes você comungou sem sentir preparado para isso? Quantos catequizandos ao fim do ano você viu comungando, mas você sabia que eles não estavam preparados para tal? Quantos padres cometem erros litúrgicos gravíssimos banalizando a Eucaristia.

Pensemos na nossa relação com os sacramentos. Como estamos vivendo os sacramentos? Consigo enxergar Jesus neles, tenho usufruído com responsabilidade e amor os sete grandes presentes que Jesus nos deu por meio da Sua Igreja? 

Pense nisso!

Fernando Lopes

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