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quarta-feira, 28 de março de 2012

A comunidade renasce ao redor da palavra



Este é o volume Nº 9 (B)A comunidade renasce ao redor da Palavra(/B) apresenta o período de reconstrução de Judá, dos muros de Jerusalém, da comunidade judaica centrada ao redor do livro, a Torá. Paralelamente aos planos econômicos de nosso país, são mostrados os projetos de reconstrução da Pérsia em Judá, tentativas de recuperação das perdas que acabam empobrecendo ainda mais o povo de ontem e de hoje. Enfoca, ainda, quatro projetos principais de reconstrução de Judá e da comunidade judaica ao redor da Torá. Nesse período, grande parte dos escritos bíblicos recebe a redação final.
PERÍODO PERSA: 538-445 a.E. C.
A Pérsia tornou-se o maior império do Oriente.Ele foi dividido em províncias conhecidas como satrapias, governadas por sátrapas e por governadores. Judá pertencia à quinta satrapia. Continuava dependente não mais da Babilônia, e sim da Pérsia.O povo descobriu-se como uma pequena comunidade étnica perdida no vasto império em meio a muitas raças. Era obrigado a continuar aceitando um rei estrangeiro que lhe ditava normas e leis, era vigiado por um exército que controlava o pagamento dos tributos e impostos. Judá não decidia mais seu destino, nem via possibilidade de uma independência política num futuro próximo.
O período persa destacou-se pelos seus projetos de reconstrução da Judéia, de modo especial de Jerusalém. Estes, sem dúvida, reacenderam a alegria e as esperanças nos exilados de recomeçar a vida na sua própria terra. Um sonho muito difícil de ser concretizado. A destruição das cidades da Judéia, do Templo, de Jerusalém e de suas muralhas deu-se n 587/6. Sua reconstrução foi lenta e difícil, à custa de muito sacrifício. Na verdade, atrás dos projetos de reconstrução escondiam-se os projetos expansionistas da Pérsia, que desejava chegar até o Egito, tendo em vista a ampliação da dominação econômica com cobrança de tributos. Para isso, ela precisava conquistar a simpatia do povo de Judá, tomar conhecimento da sua realidade e tê-los como aliados e súditos.
Sasabassar foi o primeiro chefe de caravanas que veio com um grupo de exilados e com a autorização da Pérsia para devolver os objetos de culto e reconstruir o Templo de Jerusalém (Esd 1,8-11).Encontrou oposição no trabalho de reconstrução do Templo, além de dificuldades internas por parte da população que havia retornado, porque estava mais preocupada em construir sua casa do que reconstruir o Templo. Ciro morreu em 529, e Cambise seu filho, sucedeu-o no trono. Ele expandiu ainda mais o império Persa, chegando até o Egito.Morreu em 522 sem deixar filhos.Dario assumiu o trono sob o nome de Dario I(522-486).Em seu governo, retomou o retorno do segundo grupo de exilados, sob a chefia de Zorababel.
Zorababel foi escolhido pelas autoridades persas para conduzir de volta a segunda caravana dos exilados, por volta do ano 520 a.E.C. Era filho de Salatiel e neto de Jeconias, rei de Judá.Dario I, rei da Pérsia, constituiu-o governador de Jerusalém e da Judéia, enquanto os profetas Ageu e Zacarias exerciam naquele momento seu ministério profético.
Zorababel é visto por esses profetas como descendente de Davi por meio do qual se realizariam as esperanças messiânicas.Para o profeta Ageu Zorobabel foi escolhido por Deus para uma missão importante na história da salvação.
Na caravana de Zorobabel vieram Josué e seus descendentes.Alguns escritos contemporâneos retrataram uma rivalidade crescente entre o representante político Zorobabel e o representante religioso Josué.Esta cresceu em prejuízo do descendente real em benefício do sacerdócio.Na visão de Zacarias, duas oliveiras encontram-se ao lado do SENHOR.Uma delas representa o poder espiritual ligado a Josué e, a outra, o poder temporal ligado a Zorobabel.Josué tem a unção sacerdotal e Zorobabel, a unção real.Os dois poderes estão associados aos tempos da salvação e deveriam conviver em paz, mas não conseguem.
Dario I, depois de muita luta, impôs-se em 521 a. E.C. consolidando o império persa.Incentivou a reconstrução do Templo, a qual foi levada adiante por Zorobabel, apoiado pelos profetas Ageu e Zacarias. O Templo foi reinaugurado em 515 a.E.C., mas sem a presença de Zorobabel e do profeta Ageu.
Judá no pós-exílio: a terra de Deus acolhe a todos
Diferentes grupos integravam a população de Judá no período persa: aqueles que ficaram na terra após a deportação em 587; os estrangeiros que fixaram em Judá durante o exílio; os judeus que retornaram do exílio após o edito de Ciro; e os judeus que continuaram a morar na diáspora, mas mantinham contatos esporádicos com sua terra.
Havia entre os diversos grupos uma grande diversidade de experiências, visões, dificuldades e realidades a serem integradas. Não deixava de ser ao mesmo tempo uma riqueza e um desafio que retratou também nos escritos desse período em torno da expressão “o povo da terra”, que adquiriu um novo sentido.
A expressão “o povo da terra”foi adquirindo difrentes significados conforme a época e os escritos em que ela apareceu.Numa concepção genérica, “o povo da terra” não se referia aos chefes, mas a toda a população livre que gozava de plenos direitos civis e ocupava um determinado território.
Desde o período do exílio, Israel sem culto, sem monarquia e fora de sua terra- tenta a todo custo salvaguardar sua identidade por meio de algumas práticas como a circuncisão, o sábado e a observância da lei de Moisés.Neemias e Esdras serão os grandes defensores da Lei. A Tora pouco a pouco, foi tornando-se o centro do judaísmo.
Dario I, rei da Pérsia, em 518 a.E.C. ordenou ao governador do Egito que constituísse uma comissão para recolher as leis egípcias, a fim de que elas servissem de orientação interna da satrapia. Acredita-se que essa medida tenha se estendido a todas as demais satrapias do império, como também a de Judá. Isso teria servido de incentivo também aos exilados para recolher seus escritos sagrados a fim de servir de base para sua organização e definir sua identidade cultural e religiosa. Por coincidência ou não, é muito significativo que a Bíblia tenha se formado como livro nesse período. Israel conseguiu recolher e salvar o que havia de mais sagrado, e consolidar assim as bases para um judaísmo que pôde manter-se firme diante das ameaças do helenismo.
Os escritos que integraram o livro da Bíblia não eram apenas do reino de Judá e do exílio da Babilônia. Havia também os escritos do reino de Israel, já conhecidos antes da queda de Jerusalém, como o núcleo do Deuteronônimo e os livros de Oséias e Amós. O cisma samaritano que ratificou nessa época não impediu que os dois grupos __judeus e samaritanos___ tivessem acesso aos mesmos escritos.
O período persa do tempo de Sasabassar e Zorobabel, que corresponde ao tempo dos dois primeiros projetos, foi muito rico em produções literárias. Nele nasceram os livros de: Ageu, Zacarias, terceiro Isaias, (56-66), Joel, Levítico (1-7; 11-16) e diversos salmos.
Neemias levou adiante o terceiro projeto que visava a reconstrução dos muros da cidade de Jerusalém (Ne 2,11-3,38) e da comunidade judaica. Era um homem decidido. Demonstrou-se preocupado com a situação do povo, sobretudo com os pobres e explorados. Então, pediu aos exploradores que devolvessem as terras roubadas dos pobres e perdoassem as dívidas acumuladas. Neemias viu no problema da terra e da família a raiz dos males sociais do seu tempo. Por isso, fez valer a lei do ano jubilar por meio do perdão das dívidas para devolver a dignidade às famílias e ao povo. Conseguiu reconstruir os muros da cidade de Jerusalém na primeira fase de sua permanência em Judá. Retornou uma segunda vez e preocupou-se mais em restabelecer a “pureza legal” e promoveu politicamente Judá, que passou a ser uma província da Pérsia e não mais dependente da Samaria. Deixou caminho
Aberto para Esdras.
Esdras chegou na Judéia por volta de 398 a. E.C. e deu continuidade ao trabalho iniciado por Neemias na reconstrução da comunidade judaica, que havia perdido sua identidade. Restabeleceu-a pela observância escrita à lei de Deus e do rei (Esd 7,26). Expulsou as mulheres estrangeiras e seus filhos que ameaçavam essa fidelidade (Esd 10,3. 11). Em protesto a essa medida de Esdras, surgiram diversos escritos bíblicos com características proféticas contra a exclusão da mulher estrangeira, a opressão sobre o povo e o fechamento da comunidade sobre si mesma: Rute, Jonas, Jô, Cântico dos Cânticos, Provérbios(1-9). Nesse tempo o Pentateuco recebe forma definitiva, com a união das Tradições Javista, Eloista, Deuteronomista e Sacerdotal . Surgiram também alguns Salmos.
Por volta do ano 350 a.E.C., o império persa começou a apresentar sinais visíveis de decadência provocada pelos conflitos internos na sucessão dos soberanos. A
 Grécia
já havia iniciado suas conquistas na Ásia com Filipe, rei da Macedônia, assassinado em 336. Assumiu em seu lugar o filho Alexandre. Ele continuou as guerras de conquista, chegando a ocupar Anceniva, Tiro, Síria e Jerusalém na batalha de Isso, em 333 a.E.C.

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