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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

UM GRITO DO FUTURO

A maior parte da superfície da Terra é composta de água, mas só pouco mais de 2% é formada de água doce. É muito importante saber de sua importância e o perigo de usá-la indiscriminadamente, sem preocupar-se com o perigo que poderia representar a sua escassez. No Livro da Família 2006, lí este texto e achei muito interessante. Então resolvi colocá-lo aqui. É um texto muito longo, mas vale a pena lê-lo por inteiro. Depois, se quiser, pode comentar como sentiu-se diante de tudo isso. Boa leitura.


UM GRITO DO FUTURO

Acabo de fazer 50 anos, mas pareço ter 80. Tenho sérios problemas renais porque bebo pouquíssima água. Sinto que me resta pouco tempo de vida. Hoje sou uma das pessoas mais velhas nesta sociedade. Quando eu tinha cinco anos, havia árvores nos parques e nas ruas e bonitos jardins em frente às casas. E como me divertia tomando um banho de mangueira de uma hora! Agora usamos toalhas umedecidas em azeite mineral para limpar a pele. Antes, todas as mulheres exibiam belos cabelos. Agora, raspam a cabeça para mantê-la limpa sem usar a mangueira. Hoje, não acreditamos que a água tenha sido usada para lavar carros.
Lembro que havia muitos anúncios que diziam cuidemos da água, mas ninguém se importava muito. Pensávamos que a água jamais acabaria. Agora, todos os rios, barragens, represas, lagoas e aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou extintos. Antes, a quantidade de água ideal para beber era de oito copos/dia por pessoa. Hoje, por lei, o máximo permitido é meio copo. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As empresas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam com água potável em vez de salário. São diários os assaltos por uma garrafa de água. A comida é 80% sintética. Devido ao ressecamento da pele, uma jovem de 20 anos parece ter 40/50 anos.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está escasso por falta de árvores. A escassez de oxigênio contribui para diminuir o coeficiente intelectual das novas gerações. Em alguns países existem manchas de vegetação com seu respectivo rio, que é guardado pelo exército. A água se tornou um tesouro muito mais cobiçado que o ouro ou os diamantes.
A roupa é descartável, o que faz aumentar a quantidade de resíduos sólidos produzidos. Voltamos a usar os poços sépticos (latrinas), pois a falta de água impede a utilização das redes de esgotos sanitário. A aparência da população é horrível: corpos enrugados pela desidratação, cheios e chagas na pele, efeito dos raios ultravioletas, pois o planeta não mais possui a camada de ozônio. As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causa de morte.
A morfologia do espermatozóide de muitos indivíduos sofreu alteração. Como conseqüência, existem muitas crianças com insuficiências, mutações e deformidades. O governo nos cobra pelo ar que respiramos: 137m3 ao dia por habitante adulto. As pessoas que não podem pagar são retiradas das zonas ventiladas que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos, os quais funcionam com energia solar. Não são de boa qualidade, mas se pode respirar.

Entretanto, aqui não há árvores porque quase nunca chove e quando chega a se registrar alguma precipitação, a chuva é ácida. As estações do ano foram drasticamente transformadas devido aos testes atômicos e à indústria contaminante do século XX. Foram tantas advertências para se cuidar do meio ambiente, mas ninguém deu crédito a isso.
Quando minha filha me pede para que eu fale de quando era jovem, eu descrevo como eram bonitas as matas, falo da chuva, das flores, de como era agradável banhar-se e poder pescar nos rios. Ela me pergunta: Papai, porque a água acabou? Então, sinto um nó na garganta. Não posso deixar de me sentir culpado, porque pertenço à geração que acabou por destruir o meio ambiente ou simplesmente não levamos a sério tantas advertências.
Agora, nossos filhos pagam um alto preço e, sinceramente, penso que dento de muito pouco tempo, a vida na terra já não será possível porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível. Como gostaria de voltar no tempo e fazer com que toda a humanidade compreendesse isso quando ainda podíamos fazer alguma coisa para salvar nosso planeta...!
(in: Crônica de los tiempos, Chile)

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